Indicadores de mídia digital em 2012

O Interactive Advertising Bureau, cumprindo com competência o seu papel de desenvolver o mercado de mídia interativa no Brasil, acabou de divulgar o estudo dos indicadores de mercado de mídia, internet e mobile no Brasil.

Em linhas gerais, os dados indicam o seguinte:

  • Crescimento de 10% no acesso à internet em relação a 2010
  • Aumento do acesso das classes CDE em relação à AB (52/48)
  • 48% dos acessos no Brasil são a partir de Lan Houses (*esse dado não é do IAB, mas do Comitê Gestor da Internet)
  • Em 2010 o investimento cresceu 18% em relação a 2009, e a principal influência foi a Copa do Mundo
  • Para 2011, a projeção de crescimento no investimento em internet (apenas mídia display) é de 25% em relação a 2010
  • O último quadrimestre de 2010 apresentou um crescimento acentuado no investimento em internet, o que deve se repetir em 2011
  • 10% será o share de internet ao final de 2011
  • Consumo de vídeos: tanto vídeos profissionais (transmissões, coberturas, reportagens) quanto vídeos amadores (postados por usuários) tiveram aumento considerável no número de views
  • E-commerce já cresceu 40% desde 2009
  • Em 2010 tivemos 14 milhões de usuários 3G, em 2011 teremos 40 milhões! O preço dos aparelhos celulares está caindo. As operadoras estão oferecendo pacotes de dados mais baratos inclusive para aparelhos pré-pagos.
  • Os page views em mobile também cresceram de forma assustadora: foram 250 milhões em 2010 com projeção de 750 milhões em 2011.

Os números mostram que teremos um 2012 BEM promissor, com os desafios de desenvolver produtos de mídia e projetos de qualidade, aproveitando todo o potencial para a bolha de audiência e consumo que nos espera.

Terão destaque as iniciativas de e-commerce, vídeo interativo e aplicações móveis – tudo englobado por plataformas de redes sociais. Portanto, se você trabalha ou deseja se aprofundar no universo da mídia, 2012 será um ano de construção e colheita, onde teremos, finalmente, um mercado um pouco mais maduro e investimentos cada vez mais altos em iniciativas digitais.

Voilá!

Link da pesquisa

Impactos da democratização do mobile

Na última quarta-feira participei do fórum Caravana Vale do Silício, organizado pela ABA Rio. Trata-se de uma visita de 40 empresas às sedes do Facebook, Google, Yahoo e Microsoft.

No encontro, foram passadas as impressões em cada visita: cada empresa representa exatamente o que a marca passa; na Microsoft, a seriedade de sempre. No Yahoo, irreverência e muita hospitalidade. No Google, um paraíso jovem e no Facebook uma bagunça ordenada.

Embora cada organização tenha um apontamento (comunicação/busca/plataforma), é nítido que todas estão investindo – e muito – em mobile. Isso indica a importância e seriedade que o tema deve ser levado.

Todos conhecem o meu fascínio pelo mobile, não só como plataforma de comercialização, mas também no desenvolvimento de produtos. Há alguns meses criei a mobdick, empresa focada em planejamento de soluções móveis criativas para negócios e pessoas.

Além disso, participo do desenvolvimento de produtos mobile para o LANCE!, junto com grandes feras do mercado como o Henrique Rangel, Rafael Louzada e João Gabriel, comandados pelo PH Ferreira.

Na equipe, costumamos dividir algumas reflexões sobre internet e seus desdobramentos. E uma das conclusões sobre mobile é: acabou. Acabou o mundo! O mobile vai dominar e abraçar qualquer operação afetiva da sociedade.

Quando nos referimos a mobile, logicamente estamos falando de um aparelho móvel com acesso à internet.

Dois são os fatores para que se inicie um desdobramento jamais visto na humanidade:

- Aparelhos de alta tecnologia a preços acessíveis
- Conexão rápida e fácil para todos

Quando os dois pontos forem alcançados, o mobile será o condutor de uma grande revolução, pois afetará sistemas de informação. Escola 2.0, Governo 2.0, Política 2.0, Consumo 2.0, etc. Tudo poderá ser conduzido de forma muito rápida, clara, intuitiva.

Uma ferramenta muito interessante e que simboliza o mundo de possibilidades que o mobile trará é o Square Up.

É tão surreal que vou encerrar meu post apenas imaginando que já podemos utilizar o Visa para pagar o encanador.

E você, conte sua história fascinante sobre mobile!

Dicas de ouro para uma campanha criminosa campeã

Esse post é uma reflexão sobre uma área da publicidade online que muito me fascina, pois envolve planejamento, compra de mídia e conversão. Infelizmente, esses conhecimentos são utilizados para uma iniciativa fraudulenta. Estamos falando dos cibercrimes, que é como o Jornal Nacional gosta de chamar o phishing. Phishing nada mais é do que a tentativa (com alta conversão) de pescar usuários na internet com réplicas de mensagens originais – em troca de informações sigilosas – como senhas e informações pessoais, ou simplesmente espalhar arquivos maliciosos pela rede.

Tirando o fato de ser uma prática totalmente proibida no Brasil e no mundo, o cibercrime pode ser estudado em nosso ramo da mídia digital, pois possui artifícios bem poderosos de conversão.

O público-alvo das campanhas de cibercrime é muito amplo. Qualquer pessoa pode ser fisgada. Se um e-mail Phishing é enviado a 10 milhões de pessoas, e desse total 10% abrirem e 5% clicarem, são 50 mil convertidos. E esse inventário se amplia quando consideramos murais no Orkut e Facebook, por exemplo.

A questão é: onde isso vai parar?

O cibercrime é uma prática constante no Brasil. Em 2002, o lideramos o ranking mundial de cibercrime, segundo um levantamento da empresa britânica mi2g. A empresa Ipsos Tambor, parceira da AVG, constatou em 2008 que o Brasil lidera o ranking de ataques a contas bancárias por hackers.

Possivelmente você, leitor deste blog, possui mais de 10 anos de “uso” da internet como conhecemos hoje, correto? Durante esses 10 anos de consumo frequente, criamos hábitos de navegação e seguimos nos adaptando à linguagem da web. Aprendemos com o uso, que não se deve clicar no link das fotos da nossa festa, que ficaram ótimas (2005) ou no vídeo da captura do Sadam Hussein (2007). Na porrada, aprendemos a desconfiar de e-mails de recadastramento da nossa conta bancária e links suspeitos de protetores de tela.

Agora, imagine, leitor, o usuário que acabou de comprar um computador na Ricardo Eletro e está neste momento, enquanto você lê esse parágrafo, tendo acesso pela primeira vez ao imenso mundo virtual. Quais são seus parâmetros de defesa? Ele não passou pelo processo que nós, usuários médios e avançados passamos, de adaptação à linguagem dos Phishings. Os novos usuários ainda não tiveram tempo de desenvolver faro e percepção aos malwares. Ainda não criaram anticorpos para links maldosos. E clicarão.

Se imaginarmos que, com a expectativa de democratização da banda larga no Brasil teremos 40 milhões de novos usuários de internet nos próximos dois anos, é fato que o cibercrime é um mercado em expansão.

Por isso, darei algumas dicas de ouro para uma campanha criminosa campeã.

  • Fofuras. Embutir o Phishing  em contextos fofos é sucesso garantido. Abuse das fotos de gatinhos e cães felpudos. Temas apelativos e emocionais impactam principalmente mulheres e pessoas acima de 35 anos.
  • Choque. Misture “Sasha”, “estupro” e “cavalos” na mesma frase. O escatológico gera curiosidade. O ser humano possui atração pelo horror, e esse é um artifício que irá impactar os bobos-corajosos.
  • Solidariedade. Stephanie precisa de sangue. Baixe o papel de parede da ADSS (Associação de Doadores de Sangue para a Stephanie) e contribua com seu tratamento.
  • Sorte. Use motivos positivistas, como o dia da sorte do usuário. “Você foi o visitante  10.000 e acaba de ganhar um iPad 6!”.
  • Personagens. Crie uma história mirabolante com celebridades – exemplo: “Fátima Bernardes e William Bonner saem no tapa no intervalo do JN. Clique e veja o vídeo exclusivo!”
  • Contextualização. Crie campanhas factuais. Se o Ronaldinho Gaúcho assinou com o Flamengo, envie supostas fotos do mesmo em uma sessão de descarrego na Igreja Universal de Porto Alegre em 1996.

Como puderam ver, a prática do cibercrime envolve muito planejamento, redação publicitária, psicologia de comportamento e desenvolvimento de call to actions.

* Alô Polícia, esse texto é apenas uma reflexão sobre os cibercrimes, na ótica um profissional de mídias digitais.
* Se eu for preso, amigos, levem-me o carregador do iPhone!

Abs e até a próxima!
Bruno Mendonça da Costa

A influência das redes sociais nos hábitos de consumo de conteúdo

Estava pensando sobre o tema do primeiro e efetivo post do blog. No extenso mundo de opções que temos na publicidade, achei mais lúcido pedir ajuda e sugestão aos amigos. Eis que Renato Cesar, designer-empreendedor de primeira linha, sugere o tema Social Media. Este assunto foi discorrido (e escarrado) por nós diversas vezes na cantina do LANCE!, enquanto a Dona Beth preparava nosso sensacional pão na chapa.

As melhores discussões, obviamente, não são em cima de ferramentas (orkut, twitter, facebook), e sim sobre conceitos. Quando desenvolvemos um produto web, pulamos a etapa de detalhe da ferramenta, focando apenas em seu uso e seus resultados.

A questão, então, não é definir se o projeto terá um botão de “Like” e outro de “Twit”. É preciso pensar sobre o uso efetivo de tais recursos e onde eles implicarão.

Para sermos didáticos, podemos dividir a Social Media em mídia social de conteúdo (quando curtimos uma notícia), de produto ou serviço (quando comentamos sobre uma compra) ou institucional (quando falamos bem ou mal de uma marca).

Essas ações nada mais são do que comentários que já fazemos nas redes sociais (físicas), transpostas para um ambiente virtual. Vejam:

Mídia social de conteúdo
- Olá amigos, vocês viram que o Santa Cruz foi campeão pernambucano?

Mídia social de produto ou serviço
- Estou muito feliz com meu Porsche novo.

Mídia social institucional
- Almocei no Spoleto e  fui muito bem atendido!

Essas são interações que fazemos com certa frequência (ok, exceto a do Porsche), e que são, a cada minuto, transpostas para as Redes Sociais virtuais através de Likes, Shares, RTs e seja lá o que mais vier a existir.

Voltando para o lado editorial, essa reflexão sobre social media é importante pois, a cada dia, embora os sites de conteúdo jornalístico ainda sejam autoridade no âmbito de consumo de notícias, percebemos uma mudança na forma de chegar até elas. Se no mundo físico ficamos sabendo de uma notícia através do vizinho ou de um parente, então no virtual também tende a ser dessa forma.

Um RT ou Share carrega, consigo, toda uma áurea de recomendação, de “li isso, analisei, e achei que te interessa”. Is the new “fui em Paquetá e lembrei-me de você”.

E essa visão romântica do ato de compartilhar não é exagerada. Cabe ao gerente do produto utilizar os recursos de compartilhamento de forma que mantenha vivo o bem compartilhado, fazendo-o circular pelos grafos (redes de amigos) com saúde. O resultado prático é um aumento significativo no consumo da notícia em si.

Um outro ponto que deve ser ressaltado é a segregação entre conteúdo e forma através dos XMLs voadores. Esses pássaros albinos circulam pela rede sem cor, formato, sem lenço e sem documento. As pessoas passam a consumir o conteúdo sem aquele layout tão bonito que o designer definiu. E aquela estrutura de adserver, de tagueamento, de banners, de links patrocinados que demoramos meses para ajustar no site, vai pro saco. Perde totalmente o sentido nos RTs, nos Readers e no FlipBoard. A notícia vira pólen, é carregada sem saber pra onde, sendo consumida sabe-se lá por quem.

Eis alguns impactos dessa segregação (entre conteúdo e forma) na publicidade:

  • Inventário distorcido (o usuário não vai até Maomé; Maomé vai até o usuário)
  • Dificuldade de monetização (se não sei quem tu és, para quem envio o boleto?)
  • Quebra de identidade visual (o que faço com meu MBA em Branding?!)

E, enfim, quais as conclusões? 

  • Já entendemos que quem determina onde, como e o que irá consumir é o próprio usuário;
  • Os sites não terão mais controle de nada;
  • Com a expansão e domínio das redes sociais virtuais, os sites de notícias devem voltar a sua preocupação para a construção de sua marca;
  • Irão triunfar os sites que abrirem suas APIs, criarem comunidades de desenvolvedores (widgets, ferramentas, serviços);
  • A receita não virá mais na ponta do lápis (em cima de crescimento de audiência) mas sim do valor que os leitores carregam daquele site;

Vamos discutir? Desce mais um pão na chapa!

Um abraço,

Bruno Mendonça da Costa

Apresentação

Olá, bem vindo ao meu blog!

A ideia é simples: discutir assuntos que envolvem o mundo da publicidade, com foco em mídia digital.

  • Comentários de conferências e encontros
  • Estudos e resultados de pesquisas
  • Recomendações de livros
  • Histórias sobre profissionais da área
  • Visões e opiniões sobre notícias do mercado
  • Entrevistas com profissionais da área
  • Compartilhar dicas e melhores práticas
  • Compartilhar apresentações
  • Indicação de empresas e fornecedores
  • Cases, resultados históricos, soluções

Irei compartilhar com os leitores um pouco da minha experiência em mídias digitais, aqui discutiremos práticas de operações comerciais, planejamento, métricas, otimização, criação, pós-venda, etc. Contarei com a participação de outros profissionais que admiro, tornando o blog Além do Clique recomendado para os seguintes profissionais de comunicação:

  • Que trabalham em pequenas, médias e grandes agências – digitais ou não
  • Que trabalham em veículos ou adservers
  • Que administram freelas
  • Especialistas em SEO, SMO, etc
  • Estudantes de Publicidade, Marketing, TI
  • Equipes comerciais
  • Mídias, Planejamento, Criação, etc
  • Entusiastas da área, Googlemaníacos, ProBloggers

Você que se encaixa nesses critérios: engaje-se, participe dos posts e juntos vamos formar uma sólida comunidade!